Grupo que organizava nova paralisação da PM é preso em Operação "Protocolo Fantasma"

A ação tem como objetivo a reprodução de provas para o processo criminal que visa identificar e punir os responsáveis pelo movimento que impediu a atuação dos militares Folha Vitória
Redação Folha Vitória
Foto: Alexandre Kapiche
Foram 24 mandados de busca e apreensão em vários municípios da Grande Vitória 
Foto: Alexandre Kapiche/TV Vitória

Quatro pessoas, apontadas como principais articuladoras do movimento que paralisou os trabalhos da Polícia Militar no Estado no mês passado, foram detidas durante a operação “Protocolo Fantasma”. De acordo com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), uma nova paralisação era programada para acontecer. 

Segundo o TJES, a juíza da 4ª Vara Criminal de Vitória, Gisele Souza de Oliveira, deferiu o pedido feito pelo Ministério Público Estadual (MPES), e autorizou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) realizasse o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão em vários municípios da Grande Vitória.

A ação, de acordo com o pedido do MPES, tem como principal objetivo a reprodução de provas para o processo criminal que visa identificar e punir os responsáveis pela estimulação dos movimentos que impedem os militares de atuar no Estado de forma regular. Ainda segundo o órgão ministerial, os relatórios de transcrição das conversas, juntados à petição protocolada na 4ª Vara Criminal, seriam a chave para descobrir de que maneira a suposta organização funciona.

O TJES ainda informou que em um trecho das conversas interceptadas e lançadas à petição, uma das pessoas investigadas, em uma ligação feita na última quinta-feira (16), diz já ter passado nos batalhões, alegando que os policiais estariam de acordo em fechar as unidades novamente. Segundo os autos, a pessoa que dizia já ter acertado tudo com a polícia seria a líder dos movimentos.

Além de afirmar já ter articulado com os batalhões para o início das possíveis paralisações, o TJES destacou que a pessoa suspeita de liderar o movimento também alegou que precisaria de mais mulheres nas ações de fechamento das unidades policiais. Ainda de acordo com o processo, uma reunião aconteceria na casa da investigada, para acertos acerca da atuação do grupo.

Já em outra parte da conversa, segundo o TJES, a líder do movimento assumiu que, durante protesto realizado na última quinta-feira, a atuação do grupo teria atrapalhado o trânsito no entorno da Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória.

Ao fundamentar sua decisão, a juíza destacou que “as consequências nefastas do movimento paredista da Polícia Militar em nosso Estado, culminando com duas centenas de mortes, uma onda de saques e furtos a estabelecimentos comerciais, suspensão de aulas, da atividade comercial, do transporte público e até das atividades do próprio Poder Judiciário”, concluiu a magistrada.

A juíza relatou ainda em sua decisão que “nesse período, a sociedade capixaba ficou abandonada à própria sorte, com seus cidadãos trancafiados em suas residências, impedidos, pela onda de violência, de exercer o direito constitucional de ir e vir. Tratou-se de situação até então nunca experimentada, naquela dimensão, pela sociedade capixaba”. Disse ainda: “Aliás, creio não existir na literatura jurídica e nem na jurisprudência produzida pelos nossos Tribunais, outro exemplo de situação que melhor encarne a justificativa de garantia da ordem pública, considerando essa como “a necessidade de preservação da boa convivência social”.

De acordo com o TJES, esse processo tramitou em segredo de Justiça e nesta segunda-feira (20), quando teve início a “Operação Protocolo Fantasma”, a juíza quebrou o sigilo.

VOLTAR PARA O TOPO